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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Nostalgia






Quando era pequenina costumava-me sentar naquele muro branco, mesmo por baixo de uma grande macieira.
Todos os verões sentava-me lá e comia maças quando me apetecia, brincava com gatos sempre que eles queriam e via os carros a passarem.
Os anos forma passando e os verões também... os meus calções azuis com uma estrela laranja e a t-shirt com a menina loura com um vestido cor-de-rosa, deixaram-me de servir.
Nessas roupas ficaram marcas das nódoas da fruta que comia e os meus anos de ouro.
Não me importei, perdi os calções ganhei uma bicicleta.
 Com a bicicleta percorria roda a minha terra, com uma grande amiga. Com os meus calções vermelhos e o meu top verde que dizia “I love you”, apesar de eu não saber o significado daquelas palavras quando criança.
Acordava pela manhã e subia para cima da minha bicicleta, só descia dela quando a noite já era serrada e não via nada.
Passei verões na minha bicicleta, não voltei a olhar para a velha macieira que se erguia bem mais alto do que o meu metro e quarenta, dava maçãs mais gostosas do que algum dia poderia voltar a provar.
Os verões foram passando e com eles perdi essa amiga, não em importei, torquei por outras amigas. Mas havia um problema, não podiam andar de bicicleta comigo!
Não me importei, coloquei a bicicleta na garagem e troquei pelos livros.
Agora escrevo todas as loucuras da menina de cabelo preto, que se sentava no muro caiado mesmo por baixo da macieira, têm.


Sempre pensei que não sofria de nostalgia porque sempre tinha aproveitado a minha vida ao máximo, mas descobri que estava enganada, só trás mais saudades fazermos tudo o que queríamos quando éramos crianças e agora não podemos.

Tenho saudades



Não tenho saudades do passado, nem anseio pelo futuro. Isso é um erro que não volto a conhecer.
Apenas tenho saudades das tuas mãos percorrendo o meu corpo… beijando-me levemente, dos teus olhos admirando-me e dizendo o que os teus lábios não sabiam prenunciar, apenas com as palavras que este mundo conhece.
Anseio, desejo, cada segundo que ainda não existe. Pois não voltarei a ser tocada sem sentimento, sem amar alguém. Não volto, sequer, a colar os meus lábios a alguém por quem não tenho nem um pouco de sentimento, vê-lo morto ou vivo, para mim seria-me indiferente.
Eu sei que o que fiz, num passado próximo. Sei que me diverti. Sei, também, que gostei. Mas cansei-me de ser um brinquedo e de apenas brincar.
Agora, anseio pelo teu corpo, pelo teu subtil e apaixonado toque. Desejo que este “tu” não seja, novamente, uma partida da minha imaginação.
Quero fazer-te feliz. Quero sentar-me ao teu lado, no alpendre dianteiro da nossa casa. Quero cuidar de ti nesse dia e nos seguintes… quero beijar-te a testa e acariciar-te a face em sinal de respeito e de amor.
Mas duvido que tal alguma vez aconteça… o que eu sou, não permite que tal possa acontecer…