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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Ele e Ela


Toda gente começa a história por escrever o seu nome, mas eu não o farei. Digo-vos que sou parecido com o meu pai, no entanto, tenho os olhos da minha mãe.
A minha casa é enorme, mas o mais fascinante é que a maior divisão da casa tem janelas que vão desde o chão ao tecto e no entanto parece estar sempre vazia de móveis mas cheia de magia.
Cresci a ver o meu pai a tocar piano e a minha mãe a escrever, nessa mesma sala. Lá apenas há uma pequena secretária com milhares de folhas e canetas vazias, e um enorme piano de cauda.
A música que o meu pai tocava era como se fosse um portal para a minha mãe saltar para o seu mundo paralelo, mágico. Sei disto porque a minha mãe nunca me comprou um único livro para crianças, ela simplesmente inventava, todos os dias, uma história nova para mim.
Quando era pequenino lembro-me de abrir a porta daquela enorme sala, e lá estavam eles os dois, a minha mãe piscava-me o olho e eu corria para o colo dela. Ela depois disso continuava a escrever como se eu não estivesse lá, o meu pai, nunca parava de tocar até que a minha mãe lhe colocava uma mão no ombro e dava-lhe um beijo.
Ele era a inspiração dela e ela a razão para ele não querer morrer.

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