Ele passava as noites a fazer festas ao meu cabelo e a
sussurrar “não te apaixones por mim”, mas como era possível isso não acontecer,
se o seu toque era tão mágico? Mesmo sem sentir nada, sabia que ele passava as
noites abraçado a mim.
A cama estava sempre quente demais para ser apenas uma
pessoa a dormir nela. Ele escolhia a roupa que eu iria vestir com aquele seu
toque de magia que colocava tudo a flutuar. Só não caminhávamos de mão
dada na rua, porque as pessoas achariam estranho que eu desse a mão ao
vento, bem, elas viam o vento, eu via-o.
Quando por fim a época escolar chegou, estava
irremediavelmente apaixonada.
Houve uma noite em que ele voltou a afogar-me o cabelo, a
sussurrar ao meu ouvido, não resisti em dizer-lhe o quanto o amava. Tive mesmo
que o dizer!
- Estou farta de te ouvir todas as noites para não me
apaixonar por ti, mas foi inevitável, quando me sussurras aos ouvidos, quando
me acaricias as faces, quando as beijas, quando fazes o que fazes... Eu
apreciei cada momento. Chorei sempre que não estavas aqui! Não percebo o que
fazes longe de mim, mas isso dói! E hoje posso dizer que estou apaixonada por
ti! Amo-te! Percebes?
Pequenas lágrimas escorreram-me da cara e ele limpou-as
com um beijo em cada uma das minhas faces, no lugar dos beijos colocou as mãos
e disse baixinho:
- Não vais voltar a chorar. Acredita que eu vou voltar!
Mesmo que nunca volte... Agora tenho uma coisa para te dizer. Eu conheço-te
desde o dia em que nasceste, nasceste destinada a mim, mas proibida de me amar!
Foi um risco, deitar-me ao teu lado, passar estes dois meses contigo, cada dia
que passava sabia que estavas mais apaixonada por mim, mas não te quis deixar,
desculpa-me por ser egoísta! Eu também te amo, esse foi o maior erro que cometi
em toda a minha vida…
Aplicou-me um longo beijo. Por fim, quando os nossos
lábios de descolaram e separou as suas mãos da minha face, ele afastou-se os
seus olhos brilhavam como estrelas, o seu sorriso era gigante e desfez-se em
pó.
O
meu quarto de mobília branca e paredes cor-de-rosa tornou-se no lugar mais
triste da minha existência a partir desse dia a minha vida nunca mais foi a
mesma.
Hoje
em dia acordo e sinto a almoçada a que dormi agarrada estar quente, não abro os
olhos, ver a realidade doí! Mesmo muito! Imagino-te aqui… ao meu lado como se
fosses real. Percorro os dedos pelo teu rosto e encontro os teus lábios no
escuro do meu quarto. Beijo-os ferozmente porque pode ser o último dia que os
consigo imaginar… mesmo que seja apenas dessa forma de os ter, tenho medo de os
perder para sempre, eu aprendi que para sempre é muito tempo para uma rapariga
como eu conseguir aguentar. Afago-lhe o cabelo castanho com uma das minhas mãos
e abro os olhos.
Todos
os dias deixarei cair pequenas lágrimas dos meus olhos, mas tu não gostarias de
as ver, tenho a certeza disso, mas que posso eu fazer? Não as controlo!
Depois
é só imaginar o resto do dia como se tu fosses um dos meus colegas, beijando-me
a face e os lábios, de vez em quando. Sorrindo sempre que vê os meus olhos brilharem
por te ver.
Todas
as tardes, vou para o meu armário chorar e no fim de libertar toda a minha
fúria, imagino que me secas as lágrimas e abraças-me. Seguidamente, recordo-me
de tudo o que fizemos justos, isso faz-me sorrir durante alguns minutos. Mesmo
que mais cedo ou mais tarde volte a chorar.
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