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sábado, 7 de março de 2015

Na Minha Aldeia

Eu fiquei sozinha na aldeia
A lavrar a terra, a evitar que se torne areia.
Foram todos em busca de uma vida melhor
Estão fartos de ter tudo através do seu suor

 O que haverá de tão bom fora deste lugar?
 O que dizem é que lá não custa tanto trabalhar,
Lá para onde vão. mas será que é verdade
Eu desconfio que lá tem o castigo da saudade.

Se lá é que é bom, porque é que a aldeia vêm visitar?
Eles vão para lá com a ideia de um dia voltar…
Eles voltam para visitar os entrequeridos,
O lugar que chamam lar e a mim, único exemplar dos vivos.

Eu já estou velhinha e quando partir,
Nem para debaixo do chão devo ir.
Não há ninguém para me enterrar!
Ninguém para da terra cuidar!

Esta aldeia será consumida pelo mato.
As casas transformar-se-ão em montes de nada.
Esta terra não vai parecer que foi habitada.
Aí! Que como um peso no coração parto!

1 comentário:

  1. Confesso que nunca tinha encarnado na perspetiva da "senhora que fica na aldeia quando todos partem"... Maravilhoso: um ponto de vista muito diferente do que alguma vez pensei num poema extremamente bem escrito e sentido... Tem uma capacidade fantástica de entrar na pele dos outros, como se fosse eles mesmo... PARABÉNS!!!!

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