A lavrar a terra, a evitar que se torne areia.
Foram todos em busca de uma vida melhor
Estão fartos de ter tudo através do seu suor
O que haverá de tão
bom fora deste lugar?
O que dizem é que lá
não custa tanto trabalhar,
Lá para onde vão. mas será que é verdade
Eu desconfio que lá tem o castigo da saudade.
Se lá é que é bom, porque é que a aldeia vêm visitar?
Eles vão para lá com a ideia de um dia voltar…
Eles voltam para visitar os entrequeridos,
O lugar que chamam lar e a mim, único exemplar dos vivos.
Eu já estou velhinha e quando partir,
Nem para debaixo do chão devo ir.
Não há ninguém para me enterrar!
Ninguém para da terra cuidar!
Esta aldeia será consumida pelo mato.
As casas transformar-se-ão em montes de nada.
Esta terra não vai parecer que foi habitada.
Aí! Que como um peso no coração parto!

Confesso que nunca tinha encarnado na perspetiva da "senhora que fica na aldeia quando todos partem"... Maravilhoso: um ponto de vista muito diferente do que alguma vez pensei num poema extremamente bem escrito e sentido... Tem uma capacidade fantástica de entrar na pele dos outros, como se fosse eles mesmo... PARABÉNS!!!!
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