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terça-feira, 15 de março de 2016


Algumas vezes tiveste à distância de um beijo que nunca mais chegava, outras à distância da vontade de nos vermos… Agora a distância é muito superior à que alguma vez foi! Dizem que tenho de ser forte, de enfrentar a maré sozinha, que quando a tormenta passar, o sol voltará a bilhar. E se eu me perder no mar? E se eu não conseguir enfrentar a tempestade? E se a minha vida tiver menos dias do que os dedos das minhas mãos? Para que é que me devo dar ao trabalho de tentar ultrapassar a intempérie? Porque é que não posso simplesmente continuar o meu rumo à deriva? Porque o barco se vai virar, é por isso? O barco já se virou há léguas atrás! Agora só tenho um remo ao qual me agarro para continuar a flutuar mas algo dentro de mim não se importa nada que qualquer coisa faça esse remo deslizar por entre os meus dedos… Não me importo nada de ir conhecer o fundo do mar, não me importo de saber que quando chegar a esse fundo já só sobrará pequenos pedaços de mim. Prefiro ser devorada pelos tubarões do que deixar que o meu interior me engula como um enorme predador…
Eu sei o que vão dizer, que já passaram por momentos piores e que o sol até já começa a espreitar por entre as nuvens, mas no meu inteiro está desabitado… Por isso o melhor será entregar-me à tempestade e deixar nela as culpas de eu desaparecer deste mundo.

Remo, segue em direção à costa enquanto ainda te consigo ver, diz há minha família que o mar é mau, que me consumiu, não digas que fui eu que te larguei para ficar aqui…

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