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terça-feira, 15 de março de 2016


Algumas vezes tiveste à distância de um beijo que nunca mais chegava, outras à distância da vontade de nos vermos… Agora a distância é muito superior à que alguma vez foi! Dizem que tenho de ser forte, de enfrentar a maré sozinha, que quando a tormenta passar, o sol voltará a bilhar. E se eu me perder no mar? E se eu não conseguir enfrentar a tempestade? E se a minha vida tiver menos dias do que os dedos das minhas mãos? Para que é que me devo dar ao trabalho de tentar ultrapassar a intempérie? Porque é que não posso simplesmente continuar o meu rumo à deriva? Porque o barco se vai virar, é por isso? O barco já se virou há léguas atrás! Agora só tenho um remo ao qual me agarro para continuar a flutuar mas algo dentro de mim não se importa nada que qualquer coisa faça esse remo deslizar por entre os meus dedos… Não me importo nada de ir conhecer o fundo do mar, não me importo de saber que quando chegar a esse fundo já só sobrará pequenos pedaços de mim. Prefiro ser devorada pelos tubarões do que deixar que o meu interior me engula como um enorme predador…
Eu sei o que vão dizer, que já passaram por momentos piores e que o sol até já começa a espreitar por entre as nuvens, mas no meu inteiro está desabitado… Por isso o melhor será entregar-me à tempestade e deixar nela as culpas de eu desaparecer deste mundo.

Remo, segue em direção à costa enquanto ainda te consigo ver, diz há minha família que o mar é mau, que me consumiu, não digas que fui eu que te larguei para ficar aqui…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

"Jano não conseguia viver com a dor que o destino lhe causara. Jano não sabia viver sem a sua Hasti, sem os seus cabelos de ouro que pareciam uma coroa e os seus olhos esverdiados onde se escondia o mundo de Jano. Todo o seu ser tinha se decomposto quando o corpo de Hasti perdeu a vida… Nem o rebento da sua relação conseguia curar as feridas que delaceravam aquele pobre coração.
Se os corpos já não podiam estar juntos, então Jano libertaria a sua alma, para que a sua alma pudesse estar com a de Hasti."


Este foi o fim que escrevi para o livro "No Segredo dos Deuses" há 4 anos (pois escrevi o final no mesmo dia que iniciei o livro), agora olho para ele e continua a parecer-me extremamente romântico, contudo já mudei tantas vezes a história que é completamente impossível que este final encaixe no seguimento do livro e por achar estás frases tão bonitas as partilho convosco, pois tal como Jano, eu não suportaria viver sem a minha Hasti!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

no interior de um iceberg

Vislumbro a altura desta racha no iceberg, não tenho medo de cair porque o brilho do gelo deslumbra-me! Acredito que desde aqui até ao fundo desta montanha de gelo existam milhares de metros e que se caísse agora o meu grito propagar-se-ia por centenas de anos!
Tenho de desistir de todos os meus sonhos para
realizar o que para mim é um pesadelo…
Mas se me atirasse seria no mais profundo silêncio, para ter a certeza que ninguém me resgataria. Pois, se não consigo realizar os meus sonhos no topo do iceberg, talvez consiga no seu interior! O que tenho eu a perder? O que tenho eu a perder se me atirar agora?
Estou sozinha no meio da Gronelândia, nunca ninguém me encontraria, quem é que iria descobrir que eu andei 30 quilómetros para ver esta tão famosa racha que deslisa em direção ao mar? O meu corpo seria queimado pelo gelo e quando chegasse o verão seria subterrada no fundo arenoso do oceano… Nunca me encontrariam! E talvez nem queria ser encontrada…
Quem saberia, se fui eu que me atirei ou se o foi o gelo que quebrou mesmo por baixo dos meus pés?