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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Carolina e o Mar

Carolina e Samuel corriam às gargalhadas pelo castelo. O rei e a família real tinha saído numa visita de estado a outro qualquer reino e como sempre Carolina ficava para trás… Havia sempre uma desculpa! Ou porque a magia não mostrava progressos, ou porque se tinha comportado mal num jantar há alguns meses atrás, ou porque tinha sido apanhada a brincar com Samuel… Enfim, uma efemeridade de desculpas para a manterem aprisionada entre aquelas muralhas!
Ainda assim, para Carolina era o melhor dos males ficar no sítio que conhecia com as pessoas que conhecia e melhor que não estar na companhia do pai: era ver a transformação que acontecia no castelo quando eles partiam! As janelas eram abertas e enchia o castelo de luz e de um cheiro leve que Carolina amava, era extremamente preferível ao cheiro a mofo que o castelo possuía durante todo o ano! A pequena princesa não fazia a mínima ideia do que poderia ser aquele cheiro, mas tinha a certeza de uma coisa ele vinha do lado de lá das muralhas e tudo o que ficava para lá das muralhas era novo e desconhecido para ela… Pelos seus cálculos, aquele muramento deveria de ter pelo menos umas quarenta vezes a sua altura e era vigiado por guardas, não sabia quantos, nunca se dera ao trabalho de os contar, mas sabia que seriam muitos. O que ela não sabia era a verdadeira função deles, estariam eles ali para proteger os outros de entrar ou impedir Carolina de sair?
Todavia nenhum destes pensamentos se passavam pela cabeça de Carolina, ela estava apenas concentrada em fugir de Samuel que corria atrás dela para a apanhar... Mas o Samuel era muito rápido! Oh se era! Apanhava-a em três tempos! A sua roupa era leve e tinha os músculos definidos para a idade, já Carolina usava no minino uns dez quilos de roupa a contar com saias, saiotes, armações e corpetes! Além disso, ela tinha os membros ligeiramente flácidos, pois enquanto o rei estava era totalmente proibidos as brincadeiras normais que levam ao exercício do corpo.
E o Samuel apanho-a! Assim em menos de duas passadas de corrida! Mesmo que ele lhe dê alguns segundos de avanço…
Pararam juntos a corrida mesmo em frente de uma janela acabada de abrir, de onde se via o jardim, o que não passava de uma imensidão de verde formada por arbustos, relva e arvores, rodeados pelo branco da gravilha e fervilhava com o cheiro das flores. No centro do jardim havia uma grande fonte onde corria sempre água fresca e límpida, um pouco mais longe havia a horta de onde vinham grande parto dos produtos que compunham a alimentação de Carolina, além disso apenas as muralhas que separavam Carolina do mundo…
- Que cheiro tão bom! Sabes de onde vem? Nenhuma flor do jardim tem este cheiro! – perguntou Carolina notoriamente entusiasmada
- Estás a brincar comigo. Não estás? É o cheiro do mar!
- O que é o mar?
- Nunca viste o mar? - perguntou Samuel com a boca aberta devido ao espanto ao descobrir, que a menina que sabia ler, escrever e contar, não sabia o que era o mar e ele esteve sempre ali ao seu lado.
 Apesar da respiração de Carolina ainda não ter voltado completamente ao normal, Samuel voltou a abriga-la a correr. Desta vez iam para uma ala onde Carolina nunca tinha entrado… A ala dos guardas.
Passaram pelos corredores dos empregados que ligavam todas as divisões do castelo de uma forma um quanto sinistra… O Samuel abriu uma porta de madeira já velha, meio apodrecida na parte inferior e tão pequena que parecia que só mesmo o Samuel podia passar por ela. Assim que passou pela porta Carolina deparou-se com um novo obstáculo, desta vez encontrava umas escadas íngremes com apenas dois sentidos, Samuel não se arrepiou minimamente com os degraus pequenos e abruptos, parecia que os conhecia melhor que as palmas das suas próprias mãos e puxou a Carolina escada acima. Pelo caminho passaram por uma porta que se encontrava guardada, o guarda ao ver a princesa fez uma pequena vénia, mas Carolina não teve tempo de responder, Samuel não estava minimamente intimidado com a presença do guarda e não lhe disse absolutamente nada, nem abrandou o passo para que Carolina pusesse retribuir o cumprimento.

Ao fim de alguns minutos de corrida Carolina já não aguentava mais, já estava a abrir a boca para pedir a Samuel para parar e eis que Samuel para, enfrente a outra porta velha e podre, de onde aquele cheiro que Carolina tanto queria conhecer a trespassava como se não houvesse ali qualquer obstáculo para deter a sua entrada.
Samuel abre a porta com um pontapé, não mostrava qualquer sinal de cansaço e Carolina caiu sobre os seus joelhos a arfar… Ao vê-la assim ficou preocupado, colocou um joelho no chão para ficar à sua altura e uma mão nas costas de Carolina para a ajudar a manter a postura.
Quando Carolina levanta a cabeça para olhar Samuel e libertar uma risada, a sua respiração arfante, desapareceu para se tornar num silêncio quase absoluto, ora não fosse o barulho das ondas do mar. À sua frente Carolina encontrou uma imensidão de azul, parecia que alguém tinha colocado um espelho a refletir o céu, contudo isso era complemente impossível, pois o céu era estático (só as nuvens se mexiam) e aquilo que via não, parecia que algo o revolvia por dentro…
Samuel soltou uma enorme gargalhada ao ver Carolina de joelhos e de boca aberta a olhar para o mar, ele podia jurar que até tinha visto uma mosca a entra-lhe na boca.
- Carolina, isto é o mar!

Excerto do livro em processo de escrita :)

quarta-feira, 17 de agosto de 2016


Guardo em mim demasiadas vontades.
Anseio por realizar todos os meus sonhos
Ambiciono descobrir todo o tipo de liberdades.
Demasiados desejos para ter dias risonhos…

Tenho a chamada da vida em espera,
Porque agora não é conveniente viver.
Tenho pelo menos mais uma era
Pela frente até poder nascer.

Sinto-me prisioneira no meu lar,
É isso que este lugar devia ser!
Não tenho grades na janela mas não a posso trespassar.
O muro não tem arame farpado,
Mas na minha mente consigo-o ver.
Ás vezes penso: será para sempre este o meu fado?
Se assim é, prefiro morrer.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Ver-me-às Partir, Minha Querida África

As minhas lágrimas são tantas que a imagem que vejo está completamente distorcida. Sei que partes nesse barco que já mal consigo ver… Para onde te levam meu amor? E eu fico aqui presa à espera do próximo barco. Será que vamos os dois para o mesmo sítio só que em navios diferentes?
Que estupidez é esta de me dizerem que me podem vender por um pouco de lata velha só porque nunca tinham visto pessoas da nossa cor? Porque o Deus deles diz que não somos gente? Mas eu sei que sou gente porque sinto o meu coração e é por ter coração que choro, é por ter coração que não aguento ver esse barco a virar a linha do horizonte!
Meu amor, se consegues ouvir esta súplica liberta-te das tuas amarras e vem ter comigo… Salta desse barco e nada até mim!  És bom nadador, tu consegues cá chegar…
O pânico começa infiltrar-se no meu ser, meu amor, vem salvar-me, já os ouço no corredor… Tu sabes o que eles me vêm fazer, vêm para me violar. Por favor, salta desse barco, eu quero ver-te saltar antes de eles chegarem…
Porém, já é tarde demais, já abriram a minha cela e agora iram dilacerar a minha alma…
Sou só mais uma preta qualquer que eles podem usar.

domingo, 24 de julho de 2016

Equilibrar-me com o Mundo

De há uns anos para cá, quando comecei a aperceber-me do esgotamento a que chegou o nosso planeta, em termos de recursos e níveis de poluição, fiquei extremamente preocupada! O que eu posso fazer para ensinar os outros aquilo que sei? Como posso fazer o mundo mudar? E a verdade é que não posso fazer nada… Eu não posso mudar os outros, nem ensina-los se não quiserem aprender, as pessoas simplesmente não se preocupam com isso e penso que seja um pouco estupidez, porque não acreditam nos factos quando eles lhes chovem em cima!
Um exemplo, sigo um site que é o 9gag onde há pessoas de todo o mundo a queixar-se de como nos seus países os termómetros estão a atingir temperaturas recorde e que não conseguem aguentar tais temperaturas, contudo em Portugal tem si
do o verão, mais ou menos dentro do normal. Onde é que eu quero chegar com isto: nem sempre sentimos os efeitos do aquecimento global no pequeno espaço em que vivemos e por isso devemos ver a terra como um todo.
Voltam ao que interessa, eu queria mudar o mundo! E ainda quero! Mas sei que não posso mudar 7 biliões de formas de pensar, por isso tenho mudado a minha aos poucos, tenho vários objetivos que tenho tentado cumprir para diminuir o impacto ambiental que a minha vida causa no mundo e por isso, de vez em quando vou partilhar no blog o que mudei em mim, nas coisas que uso, nas coisas que faço e as coisas que obriguei a minha família a fazer!

Espero que gostem e que me ajudem a mudar todos os dias mais um bocadinho!

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Música = Inspiração

Não me lembro qual foi a música que ouvi repetidamente até concluir o meu primeiro livro... Foi há demasiados anos, para me lembrar. Mas isso não tem qualquer importância, até porque esse livro é um pequeno segredo guardado no fundo do meu coração! Não é nada mais do que uma pequena paixão que tinha que voar por algum lado...
O meu segundo livro (Duas Espadas e Um Arco) escrevi ao som dos Slipknot, System of Down, Metallica e tantos outros, contudo a minha escrita não reflete o estilo musical que ouvi, sempre quis dizer isto ao mundo mas não sei muito bem porquê, talvez assim, um dia quando eu já não cá estiver, consigam compreender melhor o que fiz e porque o fiz.
O meu terceiro livro (Um Talismã) é muito triste e a música que ouvi predominantemente enquanto o escrevi, também é muito triste: Brandi Carlile - The Story e o que mais me inspira nesta música é uma frase muito simples "uma história não é nada se não houver alguém a quem as contar" e talvez goste tanto dela porque sou uma contadora de histórias.
O meu quarto livro (No Segredo dos Deuses) demorou tanto tempo a ser escrito (5 anos) que não me lembro com que musica comecei e com qual acabei, contudo lembro-me da música com que escrevi o 1º final (não o final que consta no livro, acho que já o publiquei algures aqui no blog) e lembro-me perfeitamente desta música porque foi a primeira musica que ouvi ser tocada pelo amor da minha vida: Yiruma - River Flows In You, não sei se este é o verdadeiro autor da música mas é a versão que ouço no youtube.
Agora vou no meu quinto livro, acho que não tem um público-alvo porque o início é demasiado infantil para um adulto mas o final será demasiado caótico para uma criança. Já parei de pensar que alguma vez tenha sucesso por isso não me preocupo se ninguém gostar, eu apenas escrevo porque gosto! Gosto de viver em outros mundos, outras alegrias, outras sensações que não posso viver neste mundo! E a música que realmente marca este livro é: Jamei Scott - Unbreakable... Nenhuma outra música poderia definir melhor a personagem principal, apesar de ser alguém frágil, um conjunto de coisas a tornará inquebrável.



quinta-feira, 9 de junho de 2016

A liberdade prende-se a coisas de grande importância quando não a possuímos, contudo quando a temos é devastada por coisas simples como os pressupostos da sociedade.
É suposto sermos assim e assado mas no nosso interior só estamos a ir contra os nossos instintos!
Porque é que não largo agora o meu computador e vou fazer alguma coisa lá fora? Porque não posso, não posso correr na rua se não sou atropelada, não posso nadar no rio porque é perigoso, não posso ignorar os perigos do mundo porque isso seria ser inconsciente… E quem me dá todos estes conselhos? Aquele que diz que me atropela, o que diz que tudo é perigoso, o que me chama inconsciente… Aquele que já viveu todas aquelas emoções que eu quero viver mas não me deixa seguir os mesmos passos, cometer os mesmos erros… O que nos impede de encontrar a felicidade nas coisas simples…
Se dissermos que queremos navegar até há Índia de barco, alguém vem e diz “já outro fez isso”, sim é verdade já alguém o fez, mas eu ainda não senti as emoções que isso trás! E sem emoções o que somos nós? Somos robots, que não largam as suas tecnologias (a única coisa que nos evita cair na insanidade visto que não podemos fazer NADA!), os antissociais, os incultos.

Se não queremos que o futuro seja robótico, por isso temos de deixar as emoções fugirem, deixar que os erros aconteçam antes que seja tarde demais!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

#saveTua

Duvido que seja necessária mais uma barragem, visto que todos já sabemos os efeitos nefastos que estas construções apresentam para o meio envolvente e não só... Se construirmos uma barragem em cada rio deixamos de ter peixe no mar e areia na praia, a fauna e a flora envolvente dos rios transforma-se completamente e o que um dia foi belo e único, passou a ser comum! As barragens impedem que os peixes de água salgada possam desovar no rio, porque não são só os salmões que vem desaguar ao rio!
Para nos fecharem os olhos, dizem-nos que depois da existência da barragem haverá mais campos que podem ser cultivados, mas é mentira! Perguntem aos produtores quantos tem acesso à água da barragem? Poucos! Muito poucos! E quando a capacidade da barragem chega a uma certa cota, não se pode tirar mais água, mesmo que o gado esteja a morrer de sede…
No Inverno, fazem descargas severas que inundam a paisagem a jusante das barragens e para quê? Sinceramente não sei, só sei que em vez de descarregarem toneladas de água durante meia hora, podiam-no fazer durante uma semana e assim evitar que casas fiquem inundadas e algumas pessoas percam tudo.
E agora pergunto: Para quê mais uma barragem? Para produzir eletricidade? Uma barragem não gera eletricidade suficiente para ser autossuficiente! Sabem o que isso significa? A barragem consome mais eletricidade do que a que produz!
Porquê mais uma barragem em Portugal? Para quê?


Não queria soar egoísta no fim de tanto defender a natureza, mas eu gostava de um dia poder conhecer o Tua na sua maior espontaneidade e de passear pela sua linha férrea que será que cortar a respiração…

Por isso sugiro que visitem este site, pode não dar em nada mas pelo menos tentamos: 

quinta-feira, 31 de março de 2016

Deus desenhou-nos à sua imagem e semelhança

“Deus desenhou-nos à sua imagem e semelhança, todos os outros seres foram apenas esboços para chegar ao ser humano”, foi o que me disseram enquanto ainda frequentava a catequese.
Só com estas palavras já consigo imaginar milhares de folhas sujas com grafite a cair por entre as nuvens e assim que tocavam na terra ou na água transformavam-se no ser que a folha trazia… Talvez em vez de um ser, saía dois de cada folha, um feminino e outro masculino… Quem sabe até se logo a seguir os mais fracos não acasalaram, sem perderem qualquer tempo para descobrir o novo mundo, pois, a maioria dos seres só conseguem sobreviver por viverem em grupo.
Vejo dois peixes a saírem da pequena folha de papel e a crescerem desmesuradamente… Talvez seja uma baleia ou um tubarão, pelo tamanho que já possuem suponho que tenham de ser um dos gigantes dos oceanos!
Mais adiante, vejo o primeiro ser humano a surgir e ao vê-lo nascer de uma forma tão surreal percebo a mensagem com que este texto começa… Percebo o porque da natureza invejosa e mesquinha do ser humano, no fim de contas, fomos feitos à imagem de Deus… E é este o Deus que temos! O Deus que deixa crianças morrerem de fome e pessoas verem os seus direitos serem violados todos os dias… Deixa que algumas pessoas nasçam com a necessidade de matar para se sentirem satisfeitas… Não impede acidentes trágicos que matam centenas de pessoas… Este Deus que é transversal a todas as religiões mas nunca as conseguiu unir e permite que guerrilhem entre si…

O ser humano é defeituoso porque foi feito à ”imagem e semelhança” de uma coisa muito mais defeituosa do que nós mesmos: Deus!

terça-feira, 15 de março de 2016


Algumas vezes tiveste à distância de um beijo que nunca mais chegava, outras à distância da vontade de nos vermos… Agora a distância é muito superior à que alguma vez foi! Dizem que tenho de ser forte, de enfrentar a maré sozinha, que quando a tormenta passar, o sol voltará a bilhar. E se eu me perder no mar? E se eu não conseguir enfrentar a tempestade? E se a minha vida tiver menos dias do que os dedos das minhas mãos? Para que é que me devo dar ao trabalho de tentar ultrapassar a intempérie? Porque é que não posso simplesmente continuar o meu rumo à deriva? Porque o barco se vai virar, é por isso? O barco já se virou há léguas atrás! Agora só tenho um remo ao qual me agarro para continuar a flutuar mas algo dentro de mim não se importa nada que qualquer coisa faça esse remo deslizar por entre os meus dedos… Não me importo nada de ir conhecer o fundo do mar, não me importo de saber que quando chegar a esse fundo já só sobrará pequenos pedaços de mim. Prefiro ser devorada pelos tubarões do que deixar que o meu interior me engula como um enorme predador…
Eu sei o que vão dizer, que já passaram por momentos piores e que o sol até já começa a espreitar por entre as nuvens, mas no meu inteiro está desabitado… Por isso o melhor será entregar-me à tempestade e deixar nela as culpas de eu desaparecer deste mundo.

Remo, segue em direção à costa enquanto ainda te consigo ver, diz há minha família que o mar é mau, que me consumiu, não digas que fui eu que te larguei para ficar aqui…

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

"Jano não conseguia viver com a dor que o destino lhe causara. Jano não sabia viver sem a sua Hasti, sem os seus cabelos de ouro que pareciam uma coroa e os seus olhos esverdiados onde se escondia o mundo de Jano. Todo o seu ser tinha se decomposto quando o corpo de Hasti perdeu a vida… Nem o rebento da sua relação conseguia curar as feridas que delaceravam aquele pobre coração.
Se os corpos já não podiam estar juntos, então Jano libertaria a sua alma, para que a sua alma pudesse estar com a de Hasti."


Este foi o fim que escrevi para o livro "No Segredo dos Deuses" há 4 anos (pois escrevi o final no mesmo dia que iniciei o livro), agora olho para ele e continua a parecer-me extremamente romântico, contudo já mudei tantas vezes a história que é completamente impossível que este final encaixe no seguimento do livro e por achar estás frases tão bonitas as partilho convosco, pois tal como Jano, eu não suportaria viver sem a minha Hasti!

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

no interior de um iceberg

Vislumbro a altura desta racha no iceberg, não tenho medo de cair porque o brilho do gelo deslumbra-me! Acredito que desde aqui até ao fundo desta montanha de gelo existam milhares de metros e que se caísse agora o meu grito propagar-se-ia por centenas de anos!
Tenho de desistir de todos os meus sonhos para
realizar o que para mim é um pesadelo…
Mas se me atirasse seria no mais profundo silêncio, para ter a certeza que ninguém me resgataria. Pois, se não consigo realizar os meus sonhos no topo do iceberg, talvez consiga no seu interior! O que tenho eu a perder? O que tenho eu a perder se me atirar agora?
Estou sozinha no meio da Gronelândia, nunca ninguém me encontraria, quem é que iria descobrir que eu andei 30 quilómetros para ver esta tão famosa racha que deslisa em direção ao mar? O meu corpo seria queimado pelo gelo e quando chegasse o verão seria subterrada no fundo arenoso do oceano… Nunca me encontrariam! E talvez nem queria ser encontrada…
Quem saberia, se fui eu que me atirei ou se o foi o gelo que quebrou mesmo por baixo dos meus pés?

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Os rios correm para a nascente,
O sol já não se põem no poente.
Estou desalinhada de todos os astros...
Debaixo de água está o meu mastro…

Tenho o barco ao contrário,
Mas consigo respirar…
Será esta história conto do vigário?
Ou fui eu que deixei de me importar?